{"id":98,"date":"2017-04-16T15:46:30","date_gmt":"2017-04-16T18:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/?page_id=98"},"modified":"2017-05-08T10:14:31","modified_gmt":"2017-05-08T13:14:31","slug":"pare-pare-e-respire-agora-veja","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/pare-pare-e-respire-agora-veja\/","title":{"rendered":"Pare. Pare e respire. Agora, veja."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-153\" src=\"http:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/capa-final-2.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"679\" srcset=\"https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/capa-final-2.jpg 1000w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/capa-final-2-300x204.jpg 300w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/capa-final-2-768x521.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pare.<\/strong><br \/>\n<strong>Pare e respire.<\/strong><br \/>\n<strong>Agora, veja.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u00e9 a Maria. Voc\u00ea n\u00e3o a v\u00ea, mas a Maria existe. Continue lendo, pois Maria agora est\u00e1 andando. Ela tem um pincel na m\u00e3o esquerda, mas n\u00e3o se recorda de como aquele pincel foi parar na m\u00e3o dela. O pincel, azul e comprido, tem cerdas macias e finas na ponta, formando uma gota. Maria gosta daquele pincel, mas ela n\u00e3o sabe como o conseguiu. Mesmo sem saber como aquele pincel foi parar na m\u00e3o dela, Maria caminha por um corredor comprido, cheio de janelas quadradas e grandes, do seu lado direito, e pinturas, v\u00e1rias pinturas quadradas e grandes, que ela v\u00ea, mas n\u00e3o entende, do seu lado esquerdo. \u201cSer\u00e1 que eu as pintei?\u201d imagina Maria, enquanto seus p\u00e9s cal\u00e7ados em t\u00eanis surrados e de uma marca qualquer fazem um barulho estridente no ch\u00e3o. Barulho que nenhum t\u00eanis comum faria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, Maria &#8211; ainda agarrando o pincel em sua m\u00e3o esquerda &#8211; come\u00e7a a se incomodar com o barulho. Ser\u00e1 que ela pisou em algo que grudou em seu solado, ou aquele ch\u00e3o tem algum problema? Ser\u00e1 que esse corredor n\u00e3o tem fim? Maria n\u00e3o sabe quando o corredor vai acabar, mas algo a impede de olhar para tr\u00e1s. Sem perceber, Maria agora corre, pincel na m\u00e3o, janelas voando, ela precisa correr. O corredor continua, n\u00e3o \u00e9 um t\u00fanel com a t\u00e3o conhecida luz no final. \u00c9 s\u00f3 escuro l\u00e1 na frente. Escuro e comprido. N\u00e3o olha para tr\u00e1s, n\u00e3o olha para os lados. Maria, seus t\u00eanis e o pincel, apenas, continuam em frente. O suor brota de sua t\u00eampora e come\u00e7a a encharcar os cabelos cacheados, mas \u00e9 para frente que Maria corre e para tr\u00e1s que as janelas v\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto voc\u00ea l\u00ea, Maria continua correndo. O que ser\u00e1 que vai acontecer? Quantas janelas esse corredor tem? O que s\u00e3o aquelas pinturas? Para onde esse corredor vai? Curioso? N\u00e3o? Bom, tanto faz, porque Maria continua correndo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, imagine-se no lugar da Maria. Voc\u00ea olharia, com mais cuidado, para as pinturas? E se ela olhasse pela janela e percebesse que bastava pular qualquer uma delas para sair do corredor? E se o lado de fora n\u00e3o tivesse corredores, bordas ou lugares. Se l\u00e1 fora fosse o nada e s\u00f3 Maria, com seu pincel, pudesse dar forma ao lado de fora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o jornadas como a da Maria que fizeram a Na\u00e7\u00e3o HQ pensar, planejar, organizar e realizar os N\u00facleos de Quadrinhos Na\u00e7\u00e3o HQ: extrapolando as conven\u00e7\u00f5es. Todos os dias, caminhamos ou corremos em nossos pr\u00f3prios corredores, com pouco mais, ou muito menos do que pinc\u00e9is em nossas m\u00e3os. As pinturas quadradas e grandes do nosso lado esquerdo s\u00e3o as conven\u00e7\u00f5es, passadas para n\u00f3s, a cada passo que damos nesse corredor. Quem somos, de onde viemos, o que queremos, para onde vamos. Muitos de n\u00f3s usamos como base para nossa interpreta\u00e7\u00e3o de vida o que outros que passaram por aquele corredor, antes, pintaram. Mas muitos, curiosos e cansados desse caminho sem fim, olham para as janelas grandes e quadradas do lado direito. Alguns assustam-se, magoam-se, irritam-se com o que viram e decidem continuar correndo, sem olhar para tr\u00e1s. Outros decidem extrapolar aqueles quadros, aqueles quadrados, aqueles limites. E pulam a janela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com os quadrinhos, a Na\u00e7\u00e3o HQ encontrou a sua maneira de pular as janelas, extrapolar tudo que foi limitado e criar um novo mundo naquele vazio do lado de fora (um vazio cheio demais para ser chamado de nada). Estranho, n\u00e3o \u00e9? Limitar narrativas a pequenos quadros, quando estamos pulando a janela e nos afastando daqueles quadros que nos prendiam? A quest\u00e3o \u00e9: a narrativa est\u00e1 nos quadros, mas as ideias no vazio de cada janela que cada um de n\u00f3s pulamos todos os dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fizemos nossos n\u00facleos para ensinar que n\u00e3o podemos agarrar ideias e nem nos pendurar nelas. Ideias e ideais s\u00e3o retidos, interpretados, refinados, liberados para o pr\u00f3ximo na fila pular e, ent\u00e3o, transformados em mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mem\u00f3rias guardadas em quadros. N\u00e3o quadros pendurados em um corredor. Quadros que se seguem, misturam-se e completam-se em narrativas que contam hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A seguir, voc\u00ea pode conferir a nossa.<br \/>\nNossa hist\u00f3ria sobre contar hist\u00f3rias.<br \/>\nEm quadrinhos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pare. Pare e respire. Agora, veja. Esta \u00e9 a Maria. Voc\u00ea n\u00e3o a v\u00ea, mas a Maria existe. 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