{"id":104,"date":"2017-04-16T15:49:54","date_gmt":"2017-04-16T18:49:54","guid":{"rendered":"http:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/?page_id=104"},"modified":"2017-05-15T16:22:15","modified_gmt":"2017-05-15T19:22:15","slug":"uma-pequena-introducao-ao-curso","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/uma-pequena-introducao-ao-curso\/","title":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o ao curso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura b\u00e1sica de uma hist\u00f3ria em quadrinhos n\u00e3o \u00e9 muito diferente de um roteiro para cinema ou de um livro. Ambos passam por um mesmo processo criativo, cheio de simbolismos e linguagens que buscam desencadear rea\u00e7\u00f5es em quem entra em contato com a obra. Ao tratarmos das hist\u00f3rias em quadrinhos, encontramos elementos desafiadores que permeiam a criatividade e o trabalho da cria\u00e7\u00e3o. Entre eles, o enredo, as personagens e a narrativa visual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ENREDO<br \/>\nO enredo \u00e9 o caminho que a hist\u00f3ria segue e as etapas que as personagens precisar\u00e3o cumprir at\u00e9 chegar ao final. Sua forma b\u00e1sica \u00e9 estruturada no esquema de in\u00edcio, desenvolvimento e conclus\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como exemplo, tomaremos o caminho do her\u00f3i, escrito por Joseph Campbell, famoso estudioso de mitologia. Essa estrutura de roteiro \u00e9 uma das mais utilizadas por Hollywood. Em seu livro A Jornada do Her\u00f3i de Mil Faces, Campbell descreve uma estrutura b\u00e1sica, presente em diferentes culturas, apontando suas similaridades e elaborando uma lista de caracter\u00edsticas e acontecimentos comuns que acontecem no arqu\u00e9tipo do her\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada cultura tem em sua mitologia uma forma de ensinamento que ajuda o indiv\u00edduo a entender e conhecer a si mesmo na comunidade em que vive. Sendo assim, a hist\u00f3ria \u00e9 uma trilha de autoconhecimento que o her\u00f3i enfrenta para ter uma vida mais proveitosa e consistente com a sociedade. Quando lemos um livro, uma hist\u00f3ria em quadrinhos, ou assistimos a um filme em cuja estrutura encontra-se o caminho do her\u00f3i, os espectadores conectam-se com o personagem, pois colocam-se no lugar dele. Percebemos que aquilo faz sentido, porque compartilhamos este sentimento em nossas pr\u00f3prias jornadas na vida real. Sendo assim, a teoria de Campbell consegue fazer a liga\u00e7\u00e3o do real com a fic\u00e7\u00e3o que nos liga ao enredo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-171\" src=\"http:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-3.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-3.jpg 800w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-3-300x225.jpg 300w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-3-768x576.jpg 768w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-3-285x214.jpg 285w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PERSONAGENS<br \/>\nOutro ponto importante \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o de personagens. Mostramos aos alunos os conceitos preestabelecidos que carregamos na nossa sociedade e como eles nos fazem interpretar as pessoas. Quando sabemos abordar esses conceitos, na nossa consci\u00eancia comum, conseguimos direcionar o que queremos mostrar em determinados personagens. Por exemplo, com \u00e2ngulos retos e pontiagudos, podemos desenhar personagens que seriam os vil\u00f5es, assim como os menos espertos seriam desenhados de uma forma circular, quase infantil. Esses c\u00f3digos que criamos mentalmente descrevem, de forma simples, os personagens e captam a aten\u00e7\u00e3o do leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tem-se, ent\u00e3o, um grande aliado nessas aulas: A Teoria dos Arqu\u00e9tipos de Carl Gustav Jung, do livro O homem e seus mitos. Jung demonstra, de forma bastante eficaz, esse inconsciente coletivo que permeia a nossa sociedade, seus c\u00f3digos \u00e9ticos e comportamentais. Nesta l\u00f3gica, os mitos logo s\u00e3o quebrados, permitindo ver al\u00e9m das simples apar\u00eancias, para enxergar algo a mais nos personagens que permeiam nosso dia a dia. Podemos dizer que cada sociedade tem uma forma de exprimir e representar seus arqu\u00e9tipos. Seja por um destaque em seu visual, ou em outras caracter\u00edsticas b\u00e1sicas, podemos identificar, por exemplo, se um personagem \u00e9 um vil\u00e3o ou her\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao compreendermos isso, definimos cada personagem de acordo com sua estrutura social. Consequentemente, entendemos que, para uma maior familiaridade com a hist\u00f3ria, devemos definir, tamb\u00e9m, o local em que ela ocorre. Por isso, na maioria das hist\u00f3rias em quadrinhos, o primeiro quadro \u00e9 um panorama que mostra o local e o tempo em que est\u00e3o situadas. Assim, automaticamente, identificamos os c\u00f3digos dessa sociedade e de cada personagem descrito. Portanto, em uma hist\u00f3ria que se passa em um castelo da Idade M\u00e9dia, j\u00e1 temos todos os elementos necess\u00e1rios para entend\u00ea-la, tais como: cavaleiros e suas armaduras, reis, rainhas, pr\u00edncipes e alde\u00f5es, todos com suas caracter\u00edsticas referentes \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-172\" src=\"http:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-17.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-17.jpg 800w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-17-300x225.jpg 300w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-17-768x576.jpg 768w, https:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/wp-content\/uploads\/2017\/04\/nucleos-nacao-hq-17-285x214.jpg 285w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NARRATIVA VISUAL<br \/>\nCriado o enredo e desenvolvidas as personagens, chega o momento de transformarmos a hist\u00f3ria em uma narrativa visual. \u00c9 hora de colocar as ideias no papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A narrativa visual \u00e9 a l\u00f3gica de acontecimentos que, em sequ\u00eancia de desenhos feitos dentro de quadros, desenrola a a\u00e7\u00e3o. O autor procura os caminhos para que a hist\u00f3ria fa\u00e7a sentido e desencadeie uma resposta \u00e0 mensagem que se deseja transmitir ao leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O quadrinista precisa controlar o rumo da hist\u00f3ria, deixando claro o que cada quadro desenhado ir\u00e1 revelar. Para isso, s\u00e3o usadas diversas t\u00e9cnicas da linguagem, como os bal\u00f5es de fala, os recordat\u00f3rios, o enquadramento de cena, a perspectiva, a t\u00e9cnica de luz e sombra, entre outros. Esses elementos criam um elo entre o conjunto gr\u00e1fico e a comunica\u00e7\u00e3o com o leitor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Will Eisner, \u201co sucesso ou fracasso desse m\u00e9todo de comunica\u00e7\u00e3o depende da facilidade com que o leitor reconhece o significado e o impacto emocional da imagem. Portanto, a compet\u00eancia da representa\u00e7\u00e3o e a universalidade da forma escolhida s\u00e3o cruciais. O estilo e a adequa\u00e7\u00e3o da t\u00e9cnica s\u00e3o acess\u00f3rios da imagem e do que ela est\u00e1 tentando dizer.\u201d<br \/>\nAinda que tenhamos um longo caminho a percorrer para que possamos desenrolar uma boa sequ\u00eancia de fatos e contar uma hist\u00f3ria em quadrinhos, esses tr\u00eas elementos b\u00e1sicos nos d\u00e3o uma base s\u00f3lida para come\u00e7armos nossa jornada de cria\u00e7\u00e3o. Precisamos estar atentos para que nossa ideia chegue inteira e possa ser compreendida sem trope\u00e7os pelos leitores. Assim, para erguer uma base s\u00f3lida de conhecimentos, entramos nos conjuntos de aulas que fazem do nosso curso uma boa op\u00e7\u00e3o para aprender sobre a cria\u00e7\u00e3o de uma hist\u00f3ria em quadrinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mesmo diante de p\u00fablicos com idades diferentes, podemos e devemos estruturar cada aula de acordo com o grupo de alunos em quest\u00e3o, sem atropelos. Podemos modificar a estrutura de cada aula para atender a diferentes necessidades de cada criador. Sendo assim, nenhum modelo de aula aqui apresentado \u00e9 uma \u00e2ncora ou uma f\u00f3rmula, ali\u00e1s, cada aula tem seu aspecto pr\u00f3prio, pois dependemos muito das respostas e quest\u00f5es levantadas pelos alunos que participam e questionam os elementos propostos pelo professor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O resultado voc\u00ea confere <a href=\"http:\/\/nacao.net\/nucleosdequadrinhos\/imprensa\/\"><strong>AQUI<\/strong><\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estrutura b\u00e1sica de uma hist\u00f3ria em quadrinhos n\u00e3o \u00e9 muito diferente de um roteiro para cinema ou de um livro. Ambos passam por um mesmo processo criativo, cheio de simbolismos e linguagens que buscam desencadear rea\u00e7\u00f5es em quem entra em contato com a obra. 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