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porNação HQ

Mostra Nação HQ

30 de janeiro e 3 de fevereiro de 2018

Centro de Referência da Juventude de Belo Horizonte

Programação em construção.

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30 de janeiro – Dia do Quadrinho Nacional

O DIA DO QUADRINHO NACIONAL EM BH

30 de janeiro foi estipulada a data do Dia do Quadrinho Nacional por pesquisadores da Associação dos Quadrinhistas e Cartunistas de São Paulo em 1984. Em Belo Horizonte, o Dia do Quadrinho Nacional começou a ser comemorado em 2006, organizado pela Associação Cultural Nação HQ, reunindo artista e fãs de hqs.  Em 2011, reconhecendo o movimento cultural, BH foi a primeira cidade do país a incluir o Dia do Quadrinho Nacional em seu calendário oficial, através da lei nº 10.071/2011. Em 2018, a Nação HQ realizará sua décima edição em homenagem aos quadrinhos no Centro de Referência da Juventude em Belo Horizonte, dentro da 3ª Mostra Nação HQ.

Jornal Hoje em Dia – Cultura – 30 de janeiro de 2006

Conheça um pouco sobre o Dia do Quadrinho Nacional

  • AS AVENTURAS DE NHÔ-QUIM OU IMPRESSÕES DE UMA VIAGEM À CORTE

As Aventura de Nhô-Quim, ou Impressões de Uma Viagem à Corte foi um dos pioneiros trabalhos do mundo no desenvolvimento de uma narrativa gráfica inovadora, trazendo uma história contada com desenhos em sequências. Contavam as histórias de um jovem de 20 anos chamado Nhô-Quim, morador de uma cidade do interior do país. Filho único de gente rica, o rapaz se apaixona por uma pobre moça, Sinhá Rosa. O pai de Nhô-Quim, desaprovando o romance e manda o filho para um passeio à Corte com a intenção de que ele conheça novos ares e esqueça a Sinhã Rosa. Começa assim uma série de desventuras de um homem ingênuo e trapalhão em uma cidade grande. A história é baseado em uma forte crítica do autor aos problemas urbanos da época, dos costumes sociais e política.

Ao todo, foram publicadas 14 histórias de Nhô-Quim, entre 1869 e 1870, no Jornal A vida Fluminense. 9 capítulos foram desenhados por Angelo Agostini e, posteriormente, mais 5 desenhados por Cândido A. De Faria.

O primeiro capítulo foi publicado no dia 30 de janeiro de 1869 e é considerada a primeira história em quadrinhos publicada no Brasil.

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  • ANGELO AGOSTINI

angelo-agostiniAngelo Agostini nasceu no dia 8 de abril de 1843, na cidade de Vercelli – Piemonte, na Itália. Passou a infância em Paris onde estudou na Escola de Belas Artes.

Aos 16 anos migra-se para o Brasil com sua mãe. Trabalhou como capataz na construção de uma estrada de rodagem que ligava o terminal da ferrovia Rio de Janeiro – Juiz de fora. Agostini conhece nesse trabalho a geografia, a fauna e a cultura mineira que serviriam, mais tarde, de inspiração para a criação de seu personagem Nhô-Quim.

Inicia sua carreira artística em 1865 desenhando para a revista O Diabo Coxo de São Paulo. Na revista publica suas primeiras histórias ilustradas (sem sequências, nem personagem fixo) e charges. Angelo era conhecido por suas opiniões fortes e críticas à sociedade, sobretudo contra os políticos e a Igreja. Em uma época imperialista e escravocrata, defendeu os ideais abolicionistas e republicanos. Suas caricaturas ganharam fama por serem ofensivas, o que lhe rendeu vários inimigos. Ele enfrentou várias pressões. Uma caricatura sua intitulada “O Cemitério da Consolação no dia de finados”, feita para O Cabrião em novembro de 1866, fez com que o jornal respondesse ao primeiro processo contra a imprensa brasileira. O julgamento foi favorável ao réu, constando nos autos que o desenho foi considerado um gracejo de mau gosto mas que não cabia punição pelo crime de ofensa a moralidade pública.

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Fugindo das pressões sofridas em São Paulo, muda-se para o Rio de Janeiro. Na cidade se torna diretor do jornal A Vida Fluminense entre os anos de 1869 a 1871. No dia 30 de janeiro de 1869, Agostini publica no jornal a primeira história em quadrinhos do Brasil com um personagem fixo: As Aventura de Nhô-Quim, ou Impressões de Uma Viagem à Corte, considerada a primeira história em quadrinhos do Brasil.

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Trabalha em outras publicações como O Mosquito e Revista Ilustrada. Na Revista Ilustrada, em 1883, cria as As aventuras de Zé Caipora, um anti-herói cômico, romântico e aventureiro de um personagem que representou os usos e costumes rurais e urbanos da época. Outro marco na história dos quadrinhos no país.

Devido ao seu reconhecido trabalho em favor da Abolição da Escravatura, recebeu de Joaquim Nabuco o título de cidadão brasileiro. Porém, um escândalo envolvendo a gravidez de uma mulher em um relacionamento extraconjugal o faz mudar para a Europa em 1888.

Só retorna ao Brasil em 1895. A partir de 1903 trabalha em diversas redações de jornais como Don Quixote, Leitura para Todos e O Malho.

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Agostini foi o responsável por criar o logotipo da revista O Tico-Tico, a primeira e a mais importante revista voltada para o público infanto-juvenil no Brasil. O primeiro número circulou em 11 de outubro de 1905, e já no ano seguinte de sua criação chegou a tiragem de 100 mil exemplares por semana.


Angelo Agostini morreu aos 66 anos, no dia 23 de janeiro de 1910.